quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Para onde vai o dinheiro

Temos de admitir que os governos gastam quantias enormes para funcionar e prestar serviços essenciais. Na França, por exemplo, uma em cada quatro pessoas trabalha no setor público. Isso inclui professores, funcionários dos correios, de museus e de hospitais, policiais e outros. Precisa-se de impostos para pagar todos esses salários. O dinheiro arrecadado também constrói estradas, escolas, hospitais e ajuda a pagar a conta de serviços como a coleta de lixo e os correios.

Os gastos militares são outro fator importante por trás da tributação. O imposto de renda foi coletado pela primeira vez dos britânicos ricos para financiar a guerra contra a França em 1799. Durante a Segunda Guerra Mundial, porém, o governo britânico começou a exigir da classe trabalhadora que também pagasse imposto de renda. Hoje em dia, manter a máquina de guerra das nações continua a custar caro, mesmo em tempos de paz. O Instituto de Pesquisas pela Paz Internacional, em Estocolmo, calculou que no ano 2000 os gastos militares no mundo foram cerca de 798 bilhões de dólares.

Impostos — preço de uma “sociedade civilizada”?

“Os impostos são o que pagamos por uma sociedade civilizada.” — Inscrição no prédio da Receita Federal americana, em Washington, DC.

OS GOVERNOS alegam que os impostos são um mal necessário — o preço de uma “sociedade civilizada”. Quer você concorde com essa idéia quer não, é evidente que o preço costuma ser alto.

Os impostos podem ser divididos em duas categorias: diretos e indiretos. O imposto de renda de pessoas físicas, de pessoas jurídicas e os impostos sobre imóveis são exemplos de tributos diretos. Destes, é bem possível que o imposto de renda seja o que provoca mais indignação, principalmente nos países em que ele é progressivo, ou seja, quanto mais se ganha, mais se paga. Críticos argumentam que os impostos progressivos penalizam quem trabalha duro e consegue ser bem-sucedido.

O OECD Observer, uma publicação da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, chama atenção ao fato de que, em adição aos impostos pagos ao governo federal, “os contribuintes talvez tenham de pagar impostos de renda locais, regionais, provinciais ou estaduais. Esse é o caso na Bélgica, no Canadá, na Coréia, nos países escandinavos, na Espanha, nos Estados Unidos, na Islândia, no Japão e na Suíça”.

Os impostos indiretos incluem tributos sobre o consumo, tributos diferenciados sobre consumo de cigarros e de bebidas alcoólicas, e as tarifas alfandegárias. Esses impostos não são tão visíveis, mas ainda assim podem ser um fardo pesado, especialmente para os pobres. Na revista indiana Frontline, a escritora Jayali Ghosh alega que é um mito a idéia de que os contribuintes das classes média e alta pagam o grosso da arrecadação fiscal da Índia. Ghosh diz: “Os impostos indiretos recolhem mais de 95% da arrecadação total para os governos estaduais. . . . É provável que, na verdade, os mais pobres paguem em forma de impostos uma parcela maior de sua renda do que os ricos.” Evidentemente é a carga tributária elevada sobre itens de consumo em massa, como sabão e comida, que causa essa disparidade.

Mas o que os governos fazem com todo o dinheiro que arrecadam?

domingo, 22 de agosto de 2010

‘Uma Declaração Pessimista’

Com essas e muitas outras complicações apertando de todas as direções, os participantes da reunião de 1981 em Ottawa declararam “a necessidade de revitalizar as economias das democracias industrializadas, de atender às necessidades de nosso próprio povo e de fortalecer a prosperidade mundial”.

Contudo, o Star de Toronto classificou o comunicado final deles de “Declaração um tanto pessimista a respeito do futuro econômico do mundo livre”. Os sete líderes concordaram que a “luta para diminuir a inflação e reduzir o desemprego deve ser nossa prioridade principal”. Mas como?

Um editorial no Globe and Mail de Toronto disse: “Nenhuma decisão de grande repercussão no mundo foi tomada, nenhuma iniciativa dramática foi elaborada.” Em vez de fornecer uma “planta” para a economia ocidental, o “comunicado de Ottawa e um desenho tão rústico que dificilmente se pode determinar o que os líderes querem construir . . . Ao passo que existe uma camada superficial de banalidade na maioria dos conjuntos de diretrizes políticas, pode-se em geral enxergar além da camada e encontrar madeira ou aço . . . mas, às vezes, encontra-se papelão — como no caso de Ottawa”. Será que os líderes e seus conselheiros esgotaram seu repertório de idéias?

Contudo, são abordados pontos significativos no comunicado de Ottawa “Precisamos envolver os nossos povos numa apreciação maior da necessidade de mudança; mudança nas expectativas quanto ao crescimento e os lucros, mudança nas relações e práticas do empresariado e da classe operária, mudança no modelo da indústria, mudança na aplicação e escala do investimento e mudança no uso e suprimento de energia”, dizem os líderes. Reivindicam-se mudanças nos empréstimos públicos, nos déficits de orçamento, nas taxas de juros, na volatilidade das taxas de juros e nas taxas de câmbio das moedas, na produção acelerada de alimentos e em assuntos de comércio. Em vez de simplesmente um impulso, a economia necessita desesperadamente de uma completa reformulação!

As economias tiveram problemas anteriormente e se recuperaram. Por que não pode a economia atual reavivar-se sem passar por uma mudança drástica?

Complicações Adicionais

Nos meses recentes, adicionou-se uma nova complicação no emaranhado de problemas que atola a economia — altas recordes nas taxas de juros, especialmente nos E.U.A. Como quando uma pedra é atirada num lago, as ondulações invadiram a economia de todas as nações ocidentais industrializadas.

Nos Estados Unidos as altas taxas de juros tornaram mais difícil a disponibilidade de dinheiro por desestimular os candidatos aos empréstimos de pôr em circulação mais dinheiro inflacionado. Mas as altas taxas de juros também restringem o fluxo de dinheiro nos investimentos comerciais, grandemente necessários para manter em movimento a estagnada economia.

Em outros países as altas taxas de juros nos E.U.A. atraem investidoras que querem transformar o seu dinheiro em dólares norte-americanos. A procura de dólares aumenta o seu valor, ao passo que diminui o valor relativo das outras moedas. As moedas européias caíram cerca de 20 por cento na primeira metade de 1981, alegadamente devido às altas taxas de juros nos Estados Unidos. Os investimentos fluíram através do Atlântico, desacelerando a recuperação européia e estimulando a inflação.

Quando uma moeda vale menos, exige mais dinheiro para pagar pelos bens importados. A inflação sobe. Para manter o dinheiro de investimentos dentro da fronteira, os países aumentaram suas taxas de juros para competir com as dos Estados Unidos. Contudo, taxas mais baixas são necessárias para facilitar tomar emprestado dinheiro para investimentos a fim de estimular suas economias.

Na reunião em Ottawa, o presidente Ronald Reagan dos E.U.A. ficou firme na sua posição de taxa de juro alta em seu país. Os outros líderes se confrontam com o dilema quanto ao que fazer se a política de dinheiro difícil dos E.U.A. não ajudar a controlar a inflação e as taxas de juros continuarem altas.

O crescente desemprego é outra complicação séria. A Organização Para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico prevê que o desemprego em seus 24 países membros chegue ao nível mais elevado desde o período de reconstrução após a Segunda Guerra Mundial. Pelo menos um líder europeu afirma que “o desemprego é agora um mal maior do que a inflação”.

O balanço de pagamentos das nações é ainda outro fator a turvar as águas econômicas. Como bloco, a Comunidade Econômica Européia registrou um déficit de quase 10 bilhões de dólares na primeira metade de 1981 em relação ao Japão, um agressivo exportador. Os países industrializados como um todo tiveram em 1980 um déficit no total de 70 bilhões de dólares na conta de pagamentos, devido em grande parte aos preços mais elevados do petróleo importado. Os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, por outro lado, pularam para superavits de 3 bilhões de dólares em 1978 para 120 bilhões em 1980. Para os países em desenvolvimento não-produtores de petróleo, contudo, o déficit em conjunto de 79 bilhões de dólares na conta de pagamentos em 1980 aumentou em 1981 e não há alívio à vista.

Tal desequilíbrio desconcertante desvairadamente derruba a inteira economia. As nações industrializadas lutam para corrigir seu próprio balanço de pagamentos enquanto incentivam os países ricos em petróleo a repor em circulação o dinheiro dos superávites, especialmente por darem ajuda aos países menos desenvolvidos, atormentados pela dívida.