EM 1970, quando o Banco do Havaí, EUA, abriu uma filial na ilha de Yap, na Micronésia, teve de enfrentar um problema: como convencer o povo de Yap a depositar seu dinheiro no banco. “Tivemos algumas reuniões dos munícipes e começamos com as coisas básicas”, explicou o alto funcionário de banco Dominic B. Griffin III. “Nas economias de subsistência, qualquer coisa pode ser dinheiro. Tivemos de explicar por que um porco não era dinheiro, mas que a assinatura num pedaço de papel era.”
Esse problema sublinha um ponto básico: O moderno sistema bancário se baseia na confiança. Fundamenta-se na confiança que as pessoas — indivíduos bem como empresas — têm nos bancos com que transacionam e nas agências governamentais que os apóiam.
Yap já tinha um banco — o banco do dinheiro de pedra. Desde priscas eras, sua cultura tinha empregado enormes rodas de pedra como moeda. São tão grandes que não se precisava de nenhum cofre para guardá-las ou protegê-las. Antes, são roladas junto das paredes e das árvores ao longo duma estrada que parte de Colonia. Lavradas nas ilhas de Belau, a sudoeste de Yap, seu valor era determinado de acordo com a dificuldade que se tinha para obtê-las e trazê-las a Yap em pequenas canoas. O dinheiro de pedra jamais é movimentado. Todos estão a par de cada pedra e de sua história. Transfere-se a propriedade (mas não a pedra mesma) de uma família para outra, à medida que se adquirem terras ou produtos.
Yap, então, teve de ser literalmente levada da “idade da pedra” para a era dos modernos bancos eletrônicos, de ser apresentada aos cheques e às contas de poupança, ao câmbio de moedas, aos bônus de poupança e às remessas telegráficas. As pessoas tiveram de aprender o valor de pedacinhos impressos de papel e de confiar nos bancos que iriam cuidar do dinheiro que elas não podiam ver.
Tal situação existe em todo o mundo, hoje em dia. Ninguém realmente pede a um banco que mostre seu dinheiro. Com efeito, a maioria das transações ocorre de forma eletrônica, ou por meio dum cheque. As pessoas têm fé que os bancos apresentarão os fundos prometidos, caso isto lhes seja pedido, ou quando o prazo das contas se esgota. Todavia, os bancos realmente têm em seus cofres apenas o dinheiro necessário para as retiradas diárias de rotina. Sabem, por experiência, exatamente quanto dinheiro é necessário para uma época, ou estação específica. Onde, então, fica todo o resto do dinheiro?
domingo, 19 de setembro de 2010
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Os verdadeiros custos
Os custos financeiros quando não se paga integralmente a fatura mensal podem ser bem mais altos do que a maioria imagina. Por exemplo, considere o APR, que mede o verdadeiro custo do crédito. A relação da taxa de juros anual com o APR pode ser assim ilustrada: digamos que você empreste 100 dólares a um amigo e ele lhe devolva 108 dólares, depois de um ano. Nesse caso, ele pagou 8% de juros anuais. Mas, suponha que ele pague esse empréstimo de 100 dólares em doze mensalidades de 9 dólares. O total depois de um ano ainda será 108 dólares, mas você, que emprestou, terá tido o uso do dinheiro à medida que as mensalidades eram pagas. O APR sobre tal empréstimo resulta ser 14,5 por cento.
Segundo pesquisa feita pelo Federal Reserve System no ano passado, os APRs dos cartões de crédito bancários começam com 9,94% e chegam a 19,80%, sendo em geral entre 17% e 19%. Embora algumas instituições ofereçam taxas iniciais mais baixas, tipicamente 5,9%, essas podem aumentar assim que termine o período inicial. As taxas são também aumentadas caso a emitente do cartão detecte um aumento de risco. Algumas emitentes penalizam os devedores em atraso aumentando a taxa de juros. Aplica-se também uma penalidade quando se ultrapassa o limite de gastos.
Nos países asiáticos, as taxas anuais sobre os cartões podem ser muito altas. Alguns cartões bancários cobram 24% em Hong Kong, 30% na Índia, 36% na Indonésia, 45% nas Filipinas, 24% em Cingapura e 20% em Taiwan, por exemplo.
Obviamente, os cartões de crédito oferecem crédito fácil, mas muito caro. Entrar numa loja e acumular débitos que você só poderá pagar parceladamente é como entrar num banco e tomar empréstimo a juros exorbitantes. No entanto, quase 3 em cada 4 portadores de cartões nos EUA fazem exatamente isso! Eles têm dívidas sobre as quais pagam juros elevados. Ali, no ano passado, o saldo devedor médio mensal nos cartões Visa e MasterCard foi de US$ 1.825, e muitas pessoas devem quantias como essa em vários outros cartões de crédito.
Segundo pesquisa feita pelo Federal Reserve System no ano passado, os APRs dos cartões de crédito bancários começam com 9,94% e chegam a 19,80%, sendo em geral entre 17% e 19%. Embora algumas instituições ofereçam taxas iniciais mais baixas, tipicamente 5,9%, essas podem aumentar assim que termine o período inicial. As taxas são também aumentadas caso a emitente do cartão detecte um aumento de risco. Algumas emitentes penalizam os devedores em atraso aumentando a taxa de juros. Aplica-se também uma penalidade quando se ultrapassa o limite de gastos.
Nos países asiáticos, as taxas anuais sobre os cartões podem ser muito altas. Alguns cartões bancários cobram 24% em Hong Kong, 30% na Índia, 36% na Indonésia, 45% nas Filipinas, 24% em Cingapura e 20% em Taiwan, por exemplo.
Obviamente, os cartões de crédito oferecem crédito fácil, mas muito caro. Entrar numa loja e acumular débitos que você só poderá pagar parceladamente é como entrar num banco e tomar empréstimo a juros exorbitantes. No entanto, quase 3 em cada 4 portadores de cartões nos EUA fazem exatamente isso! Eles têm dívidas sobre as quais pagam juros elevados. Ali, no ano passado, o saldo devedor médio mensal nos cartões Visa e MasterCard foi de US$ 1.825, e muitas pessoas devem quantias como essa em vários outros cartões de crédito.
Tipos de cartão
Os cartões mais aceitos são os cartões bancários, como o Visa e o MasterCard. São emitidos por instituições financeiras, com anuidades em geral de 15 a 25 dólares. Essa anuidade pode ser dispensada, dependendo do bom crédito do cliente e de seu uso criterioso do cartão. A quitação pode ser integral, uma vez por mês, em geral sem juros, ou em mensalidades com juros altos. Fixa-se um limite de gastos, dependendo do crédito do interessado. O limite em muitos casos é aumentado, segundo a capacidade de pagamento demonstrada.
Os cartões bancários oferecem também adiantamento de dinheiro em “caixas eletrônicos” ou em cheques do banco. Esse dinheiro, porém, custa caro. Em geral, paga-se de 2 a 5 dólares para cada cem dólares emprestados. E os juros sobre tais adiantamentos correm a partir do dia da retirada do dinheiro.
Além dos bancos, muitas lojas e cadeias de lojas nacionais emitem cartões de crédito que são aceitos em seus próprios estabelecimentos. Esses cartões, em geral, não têm anuidades. Mas, se o débito não for pago integralmente, os juros poderão ser mais altos do que os de cartões bancários.
Algumas empresas petrolíferas também emitem cartões, sem anuidades. São aceitos, em geral, apenas nos postos de abastecimento da empresa e, em certos casos, em alguns hotéis. Como nos cartões emitidos por lojas, podem ser quitados integralmente sem juros, ou parceladamente, com juros.
Há também cartões para viagem e lazer, como o Diners Club e o American Express. Esse tipo de cartão cobra anuidade, mas não juros, pois o pagamento integral deve ser feito no recebimento da fatura mensal. As diferenças entre esses cartões e os cartões bancários, porém, são vagas. O American Express, por exemplo, oferece também o cartão Optima, que cobra juros e é similar ao cartão bancário.
Um tipo diferente de cartão que está entrando no mercado americano é o “cartão inteligente”, assim chamado por causa de um chip de memória embutido nele. Pode ser usado para sacar dinheiro, pois o chip pode ser programado para aceitar até determinada quantia. O valor da compra pode ser deduzido do cartão, por um vendedor afiliado. No ano passado, os franceses já usavam 23 milhões desses cartões, e os japoneses 11 milhões. Há previsões de que esse número dispare para mais de um bilhão no mundo, por volta do ano 2000.
Antes de adquirir um cartão, é bom inteirar-se dos termos do crédito. “Cláusulas de crédito importantes a considerar”, segundo um folheto do Federal Reserve System, o Banco Central dos EUA, são “o custo percentual anual (sigla APR, em inglês), a anuidade e prazos de vencimento”. Outros fatores a considerar são as taxas sobre adiantamento de dinheiro e saques acima do limite, bem como os custos por atraso de pagamento.
Os cartões bancários oferecem também adiantamento de dinheiro em “caixas eletrônicos” ou em cheques do banco. Esse dinheiro, porém, custa caro. Em geral, paga-se de 2 a 5 dólares para cada cem dólares emprestados. E os juros sobre tais adiantamentos correm a partir do dia da retirada do dinheiro.
Além dos bancos, muitas lojas e cadeias de lojas nacionais emitem cartões de crédito que são aceitos em seus próprios estabelecimentos. Esses cartões, em geral, não têm anuidades. Mas, se o débito não for pago integralmente, os juros poderão ser mais altos do que os de cartões bancários.
Algumas empresas petrolíferas também emitem cartões, sem anuidades. São aceitos, em geral, apenas nos postos de abastecimento da empresa e, em certos casos, em alguns hotéis. Como nos cartões emitidos por lojas, podem ser quitados integralmente sem juros, ou parceladamente, com juros.
Há também cartões para viagem e lazer, como o Diners Club e o American Express. Esse tipo de cartão cobra anuidade, mas não juros, pois o pagamento integral deve ser feito no recebimento da fatura mensal. As diferenças entre esses cartões e os cartões bancários, porém, são vagas. O American Express, por exemplo, oferece também o cartão Optima, que cobra juros e é similar ao cartão bancário.
Um tipo diferente de cartão que está entrando no mercado americano é o “cartão inteligente”, assim chamado por causa de um chip de memória embutido nele. Pode ser usado para sacar dinheiro, pois o chip pode ser programado para aceitar até determinada quantia. O valor da compra pode ser deduzido do cartão, por um vendedor afiliado. No ano passado, os franceses já usavam 23 milhões desses cartões, e os japoneses 11 milhões. Há previsões de que esse número dispare para mais de um bilhão no mundo, por volta do ano 2000.
Antes de adquirir um cartão, é bom inteirar-se dos termos do crédito. “Cláusulas de crédito importantes a considerar”, segundo um folheto do Federal Reserve System, o Banco Central dos EUA, são “o custo percentual anual (sigla APR, em inglês), a anuidade e prazos de vencimento”. Outros fatores a considerar são as taxas sobre adiantamento de dinheiro e saques acima do limite, bem como os custos por atraso de pagamento.
Cartões de crédito: servirão ou escravizarão você?
“O INSTANTE em que recebo a fatura mensal do meu cartão de crédito vira uma tragicomédia”, diz um professor de inglês nos Estados Unidos. “Incrédulo, fito os olhos no débito, como se um estranho ser dentro de mim, algum monstro, tivesse saído por aí numa orgia de gastos em lojas de brinquedos, loja de eletrodomésticos, supermercados e postos de gasolina.”
Dolores também acha fácil endividar-se. Diz ela: “Usar cartões de crédito não dói. Eu não gastaria dinheiro vivo desse jeito. Comprar com cartões de crédito é diferente. Você nunca vê o dinheiro. Basta entregar o cartão, e o cartão volta para você.”
Não é para menos que a dívida em cartões de crédito nos EUA, em junho de 1995, totalizasse US$ 195,2 bilhões de dólares — mais de US$ 1.000 por usuário, em média! No entanto, as administradoras de cartões continuam a cortejar novos clientes com incentivos tais como baixas taxas de juros iniciais e isenção de anuidades. Quantas ofertas de cartão de crédito você recebeu nos meses recentes? A família americana mediana recebe uns 24 por ano! O usuário típico nos EUA usou dez cartões de crédito em 1994, comprando a prazo 25% mais do que no ano anterior.
No Japão, há mais cartões de crédito do que telefones; uma média de dois cartões por japonês com mais de 20 anos. No restante da Ásia há mais de 120 milhões de cartões emitidos, cerca de um cartão por 12 habitantes. James Cassin, da MasterCard International, diz: “A Ásia é, disparado, a região de maior expansão nas transações com cartões de crédito.” O presidente da Visa International, Edmund P. Jensen, prediz: “Seremos por muito tempo uma sociedade cartocêntrica.”
Evidentemente, os cartões de crédito invadirão cada vez mais o cotidiano das pessoas. Quando usados bem, podem ser um benefício. O mau uso, porém, pode ser doloroso. Noções básicas sobre cartões de crédito poderão ajudá-lo a usar esse instrumento financeiro em seu benefício.
Dolores também acha fácil endividar-se. Diz ela: “Usar cartões de crédito não dói. Eu não gastaria dinheiro vivo desse jeito. Comprar com cartões de crédito é diferente. Você nunca vê o dinheiro. Basta entregar o cartão, e o cartão volta para você.”
Não é para menos que a dívida em cartões de crédito nos EUA, em junho de 1995, totalizasse US$ 195,2 bilhões de dólares — mais de US$ 1.000 por usuário, em média! No entanto, as administradoras de cartões continuam a cortejar novos clientes com incentivos tais como baixas taxas de juros iniciais e isenção de anuidades. Quantas ofertas de cartão de crédito você recebeu nos meses recentes? A família americana mediana recebe uns 24 por ano! O usuário típico nos EUA usou dez cartões de crédito em 1994, comprando a prazo 25% mais do que no ano anterior.
No Japão, há mais cartões de crédito do que telefones; uma média de dois cartões por japonês com mais de 20 anos. No restante da Ásia há mais de 120 milhões de cartões emitidos, cerca de um cartão por 12 habitantes. James Cassin, da MasterCard International, diz: “A Ásia é, disparado, a região de maior expansão nas transações com cartões de crédito.” O presidente da Visa International, Edmund P. Jensen, prediz: “Seremos por muito tempo uma sociedade cartocêntrica.”
Evidentemente, os cartões de crédito invadirão cada vez mais o cotidiano das pessoas. Quando usados bem, podem ser um benefício. O mau uso, porém, pode ser doloroso. Noções básicas sobre cartões de crédito poderão ajudá-lo a usar esse instrumento financeiro em seu benefício.
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