quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Desvalorizado o Dólar

A desvalorização significa reduzir o valor do dólar dos EUA, permitindo-se que permaneça estável o valor das moedas fortes estrangeiras. Foi isso que aconteceu pela primeira vez em dezembro de 1971. Mas, outras medidas eram necessárias! Não bastava uma só desvalorização. Por que não?

Por que persistiam as razões básicas da desvalorização. Os EUA continuaram a importar mais do que exportavam. Ademais, no próprio país, continuava a inflação; os itens básicos, tais como alimentos, eram caros e seu preço aumentava.

Assim, segunda desvalorização foi necessária em fevereiro de 1973. Acabou com os temores fora dos EUA? Não! Com efeito, logo após a segunda desvalorização, ocorreu uma das maiores vendas de dólares dos EUA na história. Outros ajustes eram obviamente necessários. O que foi feito?

Declínio do Dólar

Em uma só frase, resultou o que se chama de déficit da ‘balança de pagamentos’. Isso é, os estadunidenses gastam mais fora do país do que trazem de volta. Como temos visto, a indústria estadunidense gastou amplas somas no exterior. Também, os turistas estadunidenses levam dólares para o ultramar. A manutenção de operações militares estadunidenses e a ajuda estrangeira enviam ainda mais dólares para fora das fronteiras dos EUA.

Ao mesmo tempo, porém, a Europa tornou-se mais forte industrial e economicamente. As nações européias fabricam mais produtos seus do que os compram dos EUA. Ademais, cada vez mais itens são vendidos aos EUA. Agora, os EUA realmente importam mais do que exportam. O país compra mais do que vende.

Por vinte anos, os problemas do dólar têm crescido. Resume a revista Time, dos EUA:

“A causa básica da debilidade do dólar é que desde o início dos anos 50, os EUA vivem além de suas posses no mundo. Os consumidores, os negociantes, os turistas e o Governo têm gasto dezenas de bilhões a cada ano em construir fábricas na Europa, em comprar carros e câmaras japonesas, em regalar-se ao sol da Riviera, em fornecer ajuda ao exterior, em manter tropas ao redor do globo e em travar a custosa guerra do Vietnã.”

Compreensivelmente, os estrangeiros aos poucos perderam a confiança no valor do dólar. Todavia, os bancos centrais do estrangeiro compraram os dólares estadunidenses em excesso em seus países. Por quê?

Para reduzir o número de dólares em circulação. Dólares demais reduziram seu preço. Se caísse o valor do dólar, a moeda local, baseada no dólar, aumentaria de valor. Daí, qualquer item que o país estrangeiro exportasse custaria mais no grande mercado dos EUA. Os estadunidenses deixariam de comprá-lo. As vendas cairiam. Os negócios e o governo sofreriam. Não se podia permitir que isso acontecesse.

Assim, os dólares continuaram a acumular-se fora dos EUA. Em fevereiro de 1973, calcula-se que mais de 80 bilhões de dólares já haviam sido acumulados.

Os especuladores que detinham amplas somas de dólares estadunidenses no exterior aumentaram ainda mais os problemas do dólar. Firmas e até mesmo pessoas vendem seus dólares em troca de outras moedas fortes, usualmente os marcos alemães ou os ienes japoneses. Quando aumenta o valor de tais moedas, os especuladores os vendem de novo. Mas, nesta transação, compram mais dólares do que venderam.

Quando há venda maciça de dólares por muitos especuladores, ao mesmo tempo, forja-se uma crise. Os governos estrangeiros não dispõem dos recursos para manter o passo com tais vendas. O que se pode fazer em tais circunstâncias? Desvalorizar o dólar!

Papel do Dólar Depois da Segunda Guerra Mundial

Os EUA saíram da Segunda Guerra Mundial como a nação mais rica da terra. Devido a suas enormes reservas de ouro, o dólar se tornou a base das taxas fixas de câmbio internacional. Em outras palavras, o valor exato de outras moedas era expresso em termos de seu valor comparado ao dólar dos EUA, lastrado no ouro.

Por certo tempo, isto apresentava vantagens. As fábricas estadunidenses não foram destruídas na guerra, como o foram as da Europa. A Europa precisava dos produtos estadunidenses. Os EUA precisavam manter empregadas suas enormes forças de trabalho do tempo de guerra. Uma taxa fixa de câmbio entre várias moedas, baseadas no dólar, apressou a reconstrução do mundo assolado pela guerra. Grandes firmas estadunidenses podiam comprar e vender de forma internacional, sabendo que as moedas estrangeiras permaneceriam bem estáveis em seu valor por certo tempo.

Durante alguns anos do após-guerra, os EUA prosperaram. Ricas firmas vendiam a antigos aliados e inimigos no ultramar. Ao prosperarem os negócios estadunidenses, estes, por sua vez, trouxeram ao governo dos EUA maiores rendas.

Daí, o que aconteceu que inverteu este processo? Por que o dólar declinou de valor?

Por que o dólar dos E. U. A. compra menos

EM FEVEREIRO, o dólar dos EUA sofreu outra queda quando foi desvalorizado em 10 por cento. Esta foi a segunda desvalorização em cerca de 14 meses. O que aconteceu?

Para compreender as razões básicas da recente diminuição do valor do dólar, precisamos voltar ao papel internacional que desempenhou desde a Segunda Guerra Mundial.